Episódio 01X18

 

 

Episódio 17 – O Sol já não nasce mais - parte 2

Starring
Camilla Belle, Jared Padalecki, Jessica Biel, Jenny Mollen, Jonathan Bennett, Michael Coe, Chris Pine
Co-Starring
Alexa Davalos, Lindy Booth, Mike Vogel, Alexz Johnson, Kevin Zegers, Rosa Blasi,
Guest Star
Shawn Hatosy, Hart Bochner, Thomas Kretschmann, Steve Sandvoss, Ali Larter

Personagem de participação
Senhora do velório, Senhora da biblioteca, Jovem de 17 anos, Empregada, Garota 1#, Garota 2#, Karen, Rapaz do banheiro, Garota do banheiro, Garoto do bar.



Hellen está no velório de Olívia. Várias pessoas marcam presença no local. Algumas choram, outras estão sérias. O caixão fechado deixa tudo mais triste. A mãe dela chora deitada nele. É de se imaginar a dor de uma mãe que perde sua única filha, vítima da insanidade de outro ser humano.
Marcus aparece atrás de Hellen e a toca no ombro. Hellen olha, e bota sua mão sobre a dele.
Mais tarde, já no cemitério, o caixão está descendo com as pessoas ao redor. Elas vão indo embora aos poucos, mas Hellen continua lá, sem expressão séria, e sem choro. Apenas com algo enigmático no rosto.
A senhora do velório se aproxima dela, com uma jovem de aproximadamente 17 anos.

Senhora - Com licença. - Diz com uma voz bem leve e calma.
Hellen - Pois não?
Senhora - Você se chama Hellen, publicidade?
Hellen - Sim.
Senhora - Prazer conhecê-la. Minha filha falava muito de você.
Hellen - Me desculpe, mas a senhora deve estar me confundindo com outra Hellen. Eu não conhecia a sua filha pessoalmente.
Senhora - Hellen, da classe de publicidade. Não devem existir muitas, não é? Minha filha falava de você. Ela te admirava. Se espelhava em você.
Hellen - Desculpe, mas eu não estou entendendo. Isso não pode ser possível.
Senhora - Seja como for, foi bom te conhecer.

A senhora pega na mão direita de Hellen e agradece. A garota ajuda ela a andar. As duas entram em um táxi.

Hellen vai para uma praça ali perto, senta em um banco e reflete. Ela lembra que no ano passado, defendeu Olívia de dois rapazes, que zombavam com ela na faculdade. Na época Olívia era uma caloura isolada, estranha de óculos e cabelos presos e sem amigos. O tempo passou e ela se soltou. Até demais. Virou uma das garotas mais populares, principalmente por causa de um suposto caso com um professor. Hellen então concluiu que, por mais que Olívia tenha mudado, ela sempre esteve agradecida por aquele dia, mas seu ego talvez não deixasse ela expor isso.

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Na mansão Vale Branco, Marcus e Alice chegam do velório.
No hall de entrada:

Alice - E Alana?
Empregada - Não vi a senhorita Alana hoje.
Alice - Ela dormiu fora hoje. Eu queria saber se tem alguma notícia dela. Mas pelo jeito não. - Tira os óculos escuros e sobe as escadas - Essa roupa está me dando problemas na pele. Preciso de um banho urgente.

Marcus - Obrigado. Volte ao serviço.
Empregada - Sim senhor. - Vai para a cozinha.

Marcus, ainda no hall de entrada, pega o celular no bolso e disca o número de Alana, que cai na, já esperada, caixa postal.

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Uma multidão está na praia, com ambulância e viaturas da polícia. Eles retiram um corpo de uma mulher violentada das pedras. Supostamente foi atacada como Olívia, mas ainda está viva. É levada com urgência para um hospital.
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Hellen volta pra casa. Ela se senta na cadeira, apóia os cotovelos na mesa e tampa os olhos com as mãos. Alguém bate na porta. Ela se levanta para atender.

Alana - Oi Hellen. Espero não estar incomodando.

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Alana entra na casa de Hellen, que fecha a porta.

Hellen - Seus irmãos estão muito preocupados com você. Onde esteve?
Alana - Desculpe vir sem avisar, mas é que preciso da sua ajuda.
Hellen - Na verdade eu estou surpresa por você ter vindo me procurar.
Alana - É, eu sei. Você já deve estar sabendo da encrenca em que eu me meti.
Hellen - Não precisa dar satisfação à mim.
Alana - Mas preciso dizer que eu não tenho nada a ver com tudo isso. Armaram pra mim.
Hellen - Alana, de que ajuda minha você precisa?
Alana - Acho que sei quem fez isso. E você é a pessoa mais confiável que eu conheço, mesmo dando para contar nos dedos quantas vezes nós já trocamos uma palavra.
Hellen - Confesso que estou surpresa. Obrigada. Mas e seus amigos?
Alana - Como eu insinuei, não confio neles. Por favor Hellen, você precisa me ajudar.
Hellen - Tudo bem, mas eu tenho que avisar seus irmãos.
Alana - Não, por favor. Eles não podem saber que eu vim aqui falar com você.
Hellen - Alana, eles estão preocupados. Eu preciso ligar pra eles.
Alana - Eu te peço, por favor.

Hellen pensa um pouco.

Hellen - Eu não posso, me desculpe.
Alana - Não, deixa pra lá. Eu me viro sozinha. - Vai até a porta.
Hellen - Alana, eu...
Alana - Tudo bem, eu já agradeço por ter me ouvido. Tchau.

Alana vai embora.
Hellen pega o telefone.
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Daniel acorda com o telefone tocando lá embaixo, mas decide não levantar devido ao seu sono. O aparelho insiste em tocar, seguidas vezes. Fica aliviado quando percebe que Patrícia atendeu, mas logo desanima com ela subindo até o quarto.

Patrícia - Dani, é pra você. - Segurando o telefone para Daniel, com roupas íntimas.
Daniel - Fala que estou dormindo, por favor. - Bota o travesseiro por cima da cabeça.
Patrícia - É a mãe da Betty, e é urgente.
Daniel - A mãe da Betty? O que ela quer comigo? - Senta na cama e pega o telefone da mão de Patrícia.

Daniel fica paralisado ouvindo a mulher, e Patrícia ía descendo as escadas, mas resolveu esperar longe para ver o que é.

Daniel - Me desculpe, eu não estou entendendo...

Ele bota a mão na boca.

Daniel - Meu Deus...
Patrícia - O que? O que foi? - Se aproxima da porta do quarto.

A mulher desliga na cara dele. Os olhos de Daniel se enchem um pouco de lágrimas.

Daniel - A Betty foi encontrada na praia. Ela está no hospital. E a mãe dela chamou a polícia para mim, porque ela não voltou pra casa ontem.
Patrícia - Deus...O que você vai fazer?

Os dois ficam parados sem dizer nada. Daniel abaixa a cabeça.

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Hellen já está saindo de sua casa, trancando a porta, quando Marcus chega de carro.

Marcus - Vai a algum lugar? - Diz saindo do carro.
Hellen - Eu vou pra faculdade. Na biblioteca, fazer um trabalho.
Marcus - Não é melhor ir à um cyber café?
Hellen - Não. Você me dá uma carona, já que está aqui?
Marcus - Claro. Entre.

Os dois entram no carro. Marcus dá a partida.

Marcus - Mas e então, o que a Alana disse?
Hellen - Nada de mais. Ela só pediu a minha ajuda e foi embora. Eu não pude segurar ela.
Marcus - Creio que ela está na casa das amigas, mas não quero ir atrás dela, pelo menos por enquanto.
Hellen - Ela precisa de um tempo para esfriar a cabeça. Botar tudo no lugar.

Marcus fica calado.

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Daniel e Patrícia vão até a delegacia, para prestar depoimento. Os dois vão entrando pelo grande hall.

Daniel - Eu não acredito que tenho que dar satisfações.
Patrícia - Dani, deixa de ser frio. A nossa amiga é vítima. Você poderia dar um mínimo de respeito.
Daniel - Eu estou sendo acusado injustamente.
Patrícia - Quem foi a última pessoa a ver a Betty?
Daniel - Você também.
Patrícia - Eu não estava com ela. Você estava. Agora vamos lá para você depor e se livrar das acusações. Vamos.

Os dois vão até o balcão e depois entram em uma sala onde esperam sentados em um sofá. Logo após alguns minutos, um policial chama Daniel para entrar no escritório do:

Daniel - Delegado Jorge?
Jorge - Boa tarde Daniel. - Estende a mão para cumprimentá-lo.
Daniel - Eu não sabia que já estava na cidade. - Cumprimenta-o.
Jorge - Pois é. Eu cheguei hoje de manhã. Ainda nem deu tempo de passar em casa. - Se senta à mesa.
Daniel - Bem, o senhor já deve estar sabendo das acusações contra mim, suponho... - Se senta na cadeira de frente para Jorge.
Jorge - Acusações? Tem mais de uma?
Daniel - Não, na verdade é só uma mesmo.
Jorge - Me conte tudo o que aconteceu na noite em questão, Daniel.

Patrícia está numa sala de esperas. Se levanta, pega um copo descartável, enche de água, bebe, e volta a se sentar. Folheia algumas revistas, totalmente inquieta. Olha no relógio da parede e volta a folhear.
Alguns minutos depois.

Jorge - Eu conheço essa mulher. Ela é bem estranha mesmo. Não se preocupe Daniel, eu confio em você. Além do mais, você tem álibi. Alguém que trabalha para mim viu você e minha filha saindo juntos ontem.

Daniel fica surpreso e ao mesmo tempo com medo de pensar no que o pai da Patrícia acha sobre ele sair com sua filha.

Daniel - Ela é uma grande amiga - Tenta contornar o assunto.

Jorge não diz uma palavra, apenas olha diretamente para os olhos de Daniel, sem expressão alguma, e rodando uma caneta entre os dedos da mão. Patrícia entra no escritório. Daniel se levanta e Jorge também.

Patrícia - Meu Deus pai, até quando o senhor vai ficar prendendo o Daniel aqui.
Jorge - Daniel e eu estávamos apenas conversando, não é mesmo. - Vai até Daniel e o abraça no pescoço e dá um soco leve em sua barriga.
Daniel - Ugh.
Patrícia - Vamos. - Pega ele pela mão - Obrigada pai. A gente se vê em casa.
Jorge - Tchau filha, até mais. Se cuida.

Alguns passos longe dali.

Daniel - Por que não me contou que seu pai tinha voltado?
Patrícia - Bobinho. E perder toda a graça de te ver todo amedrontado? - Dá uma risada.
Daniel - Nunca mais faça isso.

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Na porta da faculdade.

Marcus - Vou fazer umas coisas por aí. Você me liga para eu vir te buscar?
Hellen - Não se preocupe. Eu volto de ônibus.
Marcus - Nada disso. Me ligue. Vou estar esperando heim.
Hellen - Se você não me deixa escolha... - diz sorrindo.

Marcus bota os óculos escuros, entra no carro e sai. Hellen entra na faculdade, e vai para a biblioteca. Nela, algumas pessoas estão sentadas às mesas, estudando. Uma senhora está no balcão principal.

Hellen - Oi. Boa tarde- Entrega um crachá para a senhora.
Senhora - Boa tarde. - Verifica os registros no computador e devolve o crachá - Aqui está. Tenha um bom estudo.
Hellen - Obrigada.

Hellen vai até uma mesa com um computador, joga a bolsa em cima dela. Logo depois vai até a máquina de café ali do lado, enche um copo e bebe um gole. Dá uma olhada no local e anda até uma porta nos fundos. Sem que ninguém perceba, ela entra por ela.

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Hellen vai andando em um quintal nos fundos da faculdade. O dia está nublado e ventando bastante, fazendo com que as árvores balancem forte e deixem cair folhas para perto dela. Chega até um portão de ferro, que dá acesso à lateral do prédio, por onde os empregados circulam. Entra por uma outra porta, que leva para um corredor já dentro do prédio. Ela escuta algumas pessoas conversando ali perto. Duas garotas passam do lado dela.

Garota 1# - Aposto que era o idiota do Du que estava gritando socorro pra gente.
Garota 2# - Ele deve estar la fora zoando.
Garota 1# - Ai, eu odeio essas brincadeiras de mau gosto. E se alguém chama a polícia?
Garota 2# - Vamos lá dar uma fria nele.

As garotas vão em direção ao pátio principal da faculdade. Hellen se vê entre várias portas. Não faz idéia de onde elas saíram, e fica desconfiada.

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Miguel vai até a casa de Daniel. Patrícia está lá. Os dois estão comendo pizza.

Patrícia - E aí mano. - Abre a porta para Miguel entrar.
Miguel - Nossa, está morando aqui agora é?
Patrícia - Para casa que eu não volto, já avisei.
Daniel - Miguel, venha e pegue um pedaço de pizza.
Miguel - O pai já voltou. Ele perguntou de você - Ignora Daniel.
Patrícia - O que eu falo, está falado. Não volto para casa e ponto. E eu já falei com o pai. Ele disse que eu posso dormir aqui. - Vai até perto de Daniel e se senta no chão com ele, pegando um pedaço de pizza.
Miguel - Vai ser assim agora? Até quando?
Patrícia - Vem cá, desde quando você se preocupa comigo? Cuida da sua vida garoto.
Daniel - Hei, não vão discutir agora, né?
Miguel - Eu não entendo porque você fica na casa dele. Por que não vai para a casa de alguma das suas amigas?
Patrícia - A Alana ninguém sabe para onde foi. O apartamento da Renata cheira a coisa velha. Por que você detesta tanto a idéia de eu ficar na casa de seu amigo? Eu heim.

O pai de Daniel chega em casa. Ele entra na sala com Jorge.

Alexandre - Olha só. Todos reunidos aqui.
Patrícia - Pai?
Daniel - Pai?
Jorge - Alexandre e eu estávamos conversando sobre Daniel, e nem vimos a hora passar.
Daniel - O que conversaram sobre mim?
Alexandre - Nada de mais filho. Eu só estava atuando como seu advogado. Jorge e eu somos velhos amigos.
Miguel - Ta, ta. Eu vou para casa. - Sai pela porta.

Jorge - E você filha, vai ficar aqui?
Patrícia - Bom, o senhor sabe que eu não estou preparada para...
Jorge - Eu sei. Leve o tempo que quiser. Enquanto isso fique com o Daniel.
Alexandre - Você é sempre bem vinda aqui.
Patrícia - Obrigada.

Patrícia olha para Daniel, que está com cara de criança perdida na multidão, mas os dois sorriem juntos.

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NO DIA SEGUINTE

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Na faculdade, durante a aula de fotografia, a professora Karen passa um trabalho envolvendo fotos. A aula acaba, todos estão saindo da sala para ir embora, e Hellen espera um pouco para poder falar com ela.

Hellen - Estou pensando em tirar fotos da faculdade. O que acha?
Karen - Acho uma boa idéia. Creio que ninguém pensou nisso ainda. É um lugar que você conhece bem, e isso vai ajudar na hora de fazer o trabalho. - Diz botando uns livros numa bolsa.
Hellen - Como é para semana que vem, e eu já estou com a minha câmera, acho que hoje é um dia bom para começar.
Karen - E em que eu posso ajudar?
Hellen - Durante a tarde somente a biblioteca fica aberta e eles não deixam os alunos entrarem nos outros prédios, então...
Karen - Quer autorização, entendi. Eu vou dar um jeito nisso, pode deixar. Me espera lá frente.
Hellen - Tudo bem.

A professora pega sua bolsa e sai. Hellen vai logo atrás e elas se separam no corredor, cada uma para um lado. Hellen vai até o pátio, perto da entrada do gabinete.
Após alguns minutos, Karen vai até Hellen.

Karen - Pronto. Você já pode entrar e tirar foto do que quiser. A Dona Cleide vai te orientar. Ela é a...
Hellen - Secretária, eu sei. Eu estudo aqui a quase 2 anos.
Karen - Pois é. Eu sou uma professora nova. - Dá um pequeno riso - Bom, já vou.
Hellen - Tchau.

A professora vai até seu carro estacionado. Hellen fala com Dona Cleide no gabinete.

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 No subúrbio, em uma pequena vila próxima ao mar, é onde situa-se a casa de Rodrigo e Diana.

Diana - A lâmpada da sala queimou de novo. - Diz pela janela da cozinha, lavando a louça.
Rodrigo - Sério? Vou aproveitar que vou na oficina e já compro uma lâmpada nova. Desta vez fluorescente. - Do lado de fora, com um cortador de grama.

Diana continua sua tarefa doméstica enquanto Rodrigo guarda o cortador e sai. Ela terminar de lavar os pratos, bota todos no armário e então lava as mãos. Ela escuta um barulho no quintal, onde Rodrigo estava. Como ele já saiu, ela vai verificar o que causou o barulho. Diana percebe que o cortador de grama tombou no chão, porque Rodrigo o deixou em uma elevação. Quando ela ia se virar para voltar para dentro de casa, alguém a surpreende pelas costas com um pano úmido de sonífero. Diana não consegue ver o rosto do agressor, devido a um boné tampando seu rosto. Depois de relutar, ela cai em sono profundo.

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Hellen está fazendo uma pequena tour pelo campus, até que, tirando proveito que Dona Cleide está atarefada, vai até o prédio que foi ontem, onde as duas garotas estavam. Ela começa a procurar a tal sala onde elas supostamente ouviram o colega fazendo brincadeira, mas não consegue imaginar onde fica. Até que, em um corredor, ela escuta um pequeno barulho, vindo de sua esquerda. Entra na primeira porta, onde é uma área proibida para estudantes. Ela escuta o barulho mais uma vez. Ele veio do chão. Ela espera atenta por mais alguns segundos, e consegue ouvir uma pessoa falando algo como "Eu estou aqui."
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 Alex sobe as escadas do lado de fora do apartamento de Júlia. Percebe que a porta está trancada ao mexer na maçaneta. Dá uma olhada em umas pedras no chão ali perto e pega uma chave. Abre a porta, entra na sala:

Alex - Tem alguém em casa?

Deixa a porta aberta. Vai até a cozinha verificar, retorna à sala e vai para o corredor dos quartos. Vai abrindo as portas e vendo que não há ninguém no local. Ao voltar pra sala, escuto passos. Alguém parece estar andando lentamente atrás dele. Ao virar, dá de cara com Aranha segurando um pedaço de madeira. Sem tempo para pensar em reagir, em meio segundo leva uma paulada entre a orelha e o pescoço, caindo duro e inconsciente no chão.
Aranha abre o porta malas de um carro. Sobe até o apartamento e traz Alex pelo ombro. Vai atrás do carro, joga Alex lá dentro e fecha. Olha para os lados, certificando de quem ninguém viu. Retira um cigarro e um isqueiro do bolso. Sobe, tranca a porta, desce, entra no carro e parte.

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Na faculdade, Hellen vai até a reitoria para falar com Luíza.

Hellen - Eu estou falando sério. Tem alguma coisa errada.
Luíza - Como você pode ter tanta certeza?
Hellen - Apenas tenho.
Luíza - Então no próximo dia de aula vamos falar com essas duas alunas que você mencionou.
Hellen - Mas isso vai ser só segunda-feira. E se a pessoa não puder esperar até lá?
Luíza - Hellen, veja bem o que você está me contando. Que tem uma pessoa presa aqui dentro. Como isso pode ser possível?

Hellen então repara um porta casacos atrás de Luíza. Nele está pendurado um casaco de couro feminino marrom claro, um jaleco branco e uma jaqueta vermelha da Harvard, igualzinha a que o Fernando tem.

Hellen - Eu sei bem o que ouvi.
Luíza - Vá para casa. E esqueça isso, porque não vai levar a lugar algum. E também esqueça a autorização das fotos, porque eu sei que você não pretende fazer trabalho, e sim ter provas das paredes derrubadas. Agora vai.

Hellen fica calada e vai embora. Pega seu celular e disca um número.

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Na casa de Daniel. Patrícia está jogando videogame no quarto dele, enquanto ele toma banho. Miguel sobe as escadas.

Miguel - Ah, então é isso que você anda fazendo aqui? Jogando videogame?
Patrícia - Presta atenção na besteira que você está dizendo.
Miguel - Sei lá, é o que parece.
Patrícia - Você não veio até aqui pra ficar me bajulando, não é? Me fez pausar o meu jogo para abrir a porta pra você, e agora está querendo sair por onde entrou?
Miguel - Calma lá, esquentadinha. O Daniel está tomando banho?
Patrícia - Não. Estou junto com um fantasma. Está no banho depois de um sexo selvagem que fizemos.
Miguel - Menos mal.

Patrícia continua jogando videogame, sentada no chão e encostada na cama, enquanto Miguel fica em pé olhando. Daniel aparece no quarto de toalha na cintura.

Daniel - E aí Miguel. Nem vi que você está aqui.
Miguel - Eu cheguei agora pouco.

Daniel - Onde está a minha calça? - Procura pelo guarda-roupa.
Patrícia - Ta na outra gaveta. - Comendo um pote de salgadinhos.
Daniel - Achei. Miguel, eu vou me trocar agora, se não for incômodo.
Miguel - Ah...Não, eu vou esperar lá embaixo.

Ele desce as escadas e senta no sofá da sala.

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Marcus levando Hellen para sua casa, de carro.

Hellen - Vai ser hoje.
Marcus - Tem certeza?
Hellen - Sim.
Marcus - Eu acho que eu não vou poder ir.
Hellen - Não tem problema, eu vou sozinha.
Marcus - Sozinha? Mas não dá!
Hellen - Lógico que dá. É até melhor.
Marcus - Hellen, pense bem antes de fazer alguma besteira.
Hellen - Não é besteira. Eu sinto que eu preciso fazer isso. Sinto que tem algo errado, e eu não sei o que é.
Marcus - Como assim?
Hellen - É o Fernando. Ele sempre está vindo na minha cabeça. Sabe que hoje eu sonhei com ele, e ele estava me pedindo a minha ajuda? Ele parecia estar com muita dor. Eu acordei chorando.
Marcus - É só um sonho. Não há nada para se precipitar.
Hellen - Não, é mais que um sonho. Eu sei.

Após alguns segundos.

Marcus - Quer parar para comer em algum lugar?
Hellen - Só me leve para casa.
Marcus - Tudo bem.

_____

    O Sol está tão forte no horizonte que parece que ele vai se recusar a nascer nos próximos dias, somente para descansar devido hoje. O céu é límpido. Árvores se movimentam com o vento de verão, vindo das montanhas. O som do campo e das aves formam o cenário de um lugar do interior.
No meio do nada, uma cabana grande e isolada é encontrada. Usada como celeiro tempos atrás, hoje é um armazém de ferragem.
Alex acorda com um banho de água.

Aranha - Nada como um bom banho de água fria para acordar.
Alex - Mas o que...!

Alex está deitado em uma tábua de madeira, preso com cintos de couro pelos tornozelos e pulsos. Ela faz força para se soltar, mas em vão.

Alex - O que diabos você pensa que está fazendo? - Grita para Aranha.
Aranha - Eu? Nada.
Alex - Seu...Seu...! - Tenta fazer movimentos fortes para se soltar.
Aranha - Opa, opa. Se eu fosse você me comportaria.
Alex - O que quer de mim? Onde eu estou?
Aranha - Vejamos. Eu quero algo que é meu. Estranho não, eu te pedindo algo que já é meu.
Alex - Não sei do que está falando.
Aranha - Não sabe? Mas vai saber rapidinho. Pode ser da maneira mais fácil... - Bota a mão no cinto da calça - Ou da maneira mais difícil. - Retira uma faca de guerra.

Alex começa a hesitar.

Alex - O que vai fazer??
Aranha - Nada, se você cooperar.
Alex - Cooperar com o que?
Aranha - Você sabe.
Alex - Eu não sei, mas que droga! Será que dá para você me dizer?!
Aranha - Vou fazer você saber rapidinho.



Aranha faz um corte de leve no braço esquerdo de Alex, próximo ao pulso.

Alex - Seu filho da ...!
Aranha - Agora já sabe?
Alex - Cansei desses seus joguinhos de merda.
Aranha - Cansou nada. Se não falou ainda é porque quer mais. Vou contar até 3.
Alex - Vai se ferrar.
Aranha - 3.

Faz um corte, desta vez mais profundo do lado do corto anterior. O sangue começa a sair. Alex dá um grito.

Aranha - Não adianta gritar. Ninguém vai te ouvir. E aí, já decidiu?
Alex - Eu estou falando a verdade. Eu não sei do que você está falando.
Aranha - Não me convenceu. Vou ter que partir para o próximo passo.
Alex - O que?

Aranha vai até uma outra tábua de madeira que está sobre vários barris. Um pano grande cobre algo em cima da tábua. Ao retirar o pano, Alex então vê Diana deitada lá.
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Hellen está pensativa, sentada em um banco da praça da rua de sua casa. Bruna aparece atrás dela.

Bruna - E aí? Como vai?
Hellen - Ai nossa, você me deu um susto.
Bruna - Percebi que você estava bem distraída.
Hellen - É. Coisas chatas andaram acontecendo.
Bruna - Certo...

Bruna senta ao lado de Hellen.

Bruna - A Ângela passou no vestibular da universidade do interior.
Hellen - Aquela que ela tanto queria? Nossa, mas que bom! Estou feliz por ela.
Bruna - É. Ela quer que eu vá com ela.
Hellen - Ir com ela?
Bruna - É, morar com ela lá.
Hellen - Hum...
Bruna - Eu já botei a casa à venda.
Hellen - Então vocês vão mesmo se mudar?
Bruna - Sim. É estranho porque, eu vivi aqui nessa cidade por tantos anos, e agora...Sei lá.
Hellen - Te desejo sorte. E pra Ângela também.
Bruna - Obrigada Hellen.

As duas se abraçam.

_____

Patrícia e Daniel descem as escadas.

Miguel - Onde vocês vão?
Patrícia - Para uma baladinha. Hello, hoje é sexta-feira.

Daniel vai para a cozinha. Miguel faz cara perdida.

Patrícia - Quer ir?
Miguel - Ir junto? Ah, não sei...
Daniel - Vai Miguel. Vai ser legal. - Volta da cozinha.
Miguel - Hum.
Patrícia - Deixa de ser bobo e vamos. - Pega na mão e puxa ele - Você não vai fazer nada agora mesmo.
Miguel - Como pode ter certeza? E se eu tiver um compromisso?
Patrícia - Se você tivesse uma namorada pelo menos.
Daniel - Vamos.

Os três saem. Daniel tranca o portão e entra no carro. Patrícia vai do lado dele e Miguel atrás. O carro parte.

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Alguém arromba a porta de um apartamento com uma pancada de extintor na maçaneta. 3 pessoas vestidas de preto e com máscaras entram no local. Um deles vai até o quarto onde está Sabrina. Ela fica em choque, mas é agarrada e calada por um deles. Os outros dois vão até outro cômodo e encontram Lucas.

Lucas - O que? O que vocês querem? Eu não tenho dinheiro, por favor. Podem levar o que quiserem.

Frius retira a sua máscara e aponta uma arma com silenciador.

Frius - Mas que babaca.

Lucas olha atentamente para Frius, e seu corpo gela totalmente naquele instante, mas logo é interrompido com um disparo no peito. Sabrina grita do outro lado. Frius e o outro rapaz vão até o quarto onde estão os dois.

Frius - Olá princesa.

Sabrina começa a chorar, e o rapaz segurando ela continua tapando sua boca.

Frius - Hora do show.

Eles entram e fecham a porta do quarto.

_____

 Na cabana:

Alex - Diana! O que você fez com ela seu animal?
Aranha - Eu? Nada de mais. Só botei ela para dormir. Não se preocupe, eu nunca a machucaria.

Aranha, de óculos, vai até uma mesa onde tem várias caixas. Ele começa a vasculhar nela e a montar uma espécie de laboratório. Alex está drogado e por isso muito cansado, não consegue levantar a cabeça para observar Aranha.

Alex - Por que? Por queeeeeeee...?

O silêncio invade a cabana. Alex acha estar adormecendo.

Aranha - Prontinho.

Aranha prepara uma seringa esterilizada. Vai até Diana, limpa seu braço com um algodão e então retira um pouco de seu sangue. Faz um curativo no local e volta para sua mesa.
Poucos segundos depois, vai até Alex.

Alex - O que você vai fazer? - Sonolento demais, quase não consegue abrir a boca.
Aranha - Apenas um presentinho.

Ele pressiona o sangue de Diana com a seringa no ferimento da faca no braço de Alex.

Alex - Humn... - Fecha os olhos, sem qualquer tipo de reação.
Aranha - Alex, meus parabéns.

Alex dorme.

_____

Hellen começa a se arrumar para fazer algo. Ela coloca umas roupas escuras, bota na sua bolsa o celular, um punhado de dinheiro e uma lanterna, além de pilhas. Ela apaga a luz do quarto, fecha a torneira da pia da cozinha que estava gotejando, pega suas chaves e sai de casa. Na calçada, encontra:

Hellen - Marcus.
Marcus - Eu não poderia te deixar sozinha.
Hellen - Obrigada.
Marcus - Sabe, hoje eu também sonhei. Com o Fernando. Eu não acreditava nessas coisas, sabe, de sonhos ou superstições, sei lá. Mas depois que você me contou hoje no carro...
Hellen - Ele é meu amigo. Amo mais meus amigos do que eu mesma. - Tranca a porta com a chave.
Marcus - Vamos. Alice está no carro também.

Os dois entram no carro. Hellen vai atrás, Marcus dirigindo e Alice do lado dele.

_____

Daniel, Patrícia e Miguel entram na balada, que está cheia e tocando música alta.

Patrícia - Vamos para o bar. Quero beber alguma coisa. - Pega Daniel pela mão.

Miguel vai atrás deles.
Chegando no bar, eles fazem o pedido, e Miguel diz que vai ao banheiro. Já no banheiro masculino, ele vai até o mictório, e escuta ruídos de duas pessoas namorando em uma das cabines atrás dele. Não há mais ninguém no banheiro, então Miguel começa a procurar, olhando debaixo das portas para achar em qual cabine está o casal. Ele encontra a cabine, bate na porta:

Miguel - Hei, vamos maneirar aí.

Um rapaz abre a porta. Ele está com uma garota apenas de roupas íntimas.

Rapaz - Maneirar?
Miguel - Banheiro público. Motel existe para isso.

O casal olha para Miguel, que já vai saindo do banheiro.

Rapaz - Estou achando que você quer se juntar.
Miguel - O que? - Volta.
Rapaz - Você quer se juntar com a gente. E aí amor, o que acha?
Garota - Com certeza. - Olha para Miguel dos pés à cabeça.

Miguel ignora e sai do banheiro. Ele começa a andar pelas pessoas andando no intuito de alcançar o bar, mas ao chegar, Patrícia e Daniel não estão mais lá. Pede uma bebida e fica olhando a pista de dança.
Daniel e Patrícia estão no meio do pessoal, dançando. Vários caras se aproximam de Patrícia, que retribui e dança com eles. Daniel fica de lado só observando.
No bar, um garoto senta do lado de Miguel, que está bebendo.

Garoto - Está com eles? - Aponta para Daniel e Patrícia
Miguel - Quem? Eles? Sim, estou.
Garoto - Ele é seu amigo?
Miguel - Por que? Está interessado? - Dá um gole na bebida.
Garoto - Não, só estou perguntando. Eu vi quando vocês chegaram aqui.
Miguel - Está nos espionando?
Garoto - Eu vi como você olhava para os dois? O que foi? Eles deram um pé na sua bunda?
Miguel - Qual é cara? - Bate o copo no balcão - Eu quero beber em paz.
Garoto - Ok, estou indo embora.

O garoto vai embora. Miguel dá o último gole, paga a bebida e sai pelo caminho que o garoto foi.
Na pista de dança, um cara oferece uma bala para Patrícia, que aceita dizendo que precisa apagar o seu bafo de bebida. Daniel não está curtindo muito, e vai procurar Miguel no bar. Não acha ele. De repente, um alvoroço na pista de dança acontece. Daniel vai ver o que é. Patrícia está estirada no chão.

Daniel - Chamem um médico!

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Em uma rua que cruza a da faculdade, os três observam ela de dentro do carro.

Alice - É como aquele programa antigo da MTV, de medo.
Marcus - Estão preparados para a aventura?
Alice - Sim! - Bate palmas.
Hellen - Vocês encaram como aventura?
Marcus - Não exatamente...acho.

Eles saem do carro e vão andando.

Marcus - Temos que ver onde podemos entrar...
Hellen - Tem uma janela quebrada no lado direito do prédio B.

Marcus e Alice se olham.

Hellen - Eu estudei o perímetro hoje de tarde.

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Já está de noite. Alex acorda e se vê livre das cintas que o prendiam na tábua. Ele se senta e vê seu braço enfaixado. Se lembra do que aconteceu antes de dormir. Desce da tábua. Vai andando pela cabana até achar a porta. Do lado de fora, começa a andar pelo mato sem rumo. Totalmente perdido, não sabe para onde ir.

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Daniel chega em sua casa, suado e ofegante. Ele senta no sofá, pega o telefone e disca um número.

Daniel - Pai? Aconteceu uma coisa. Não, eu estou bem. É a Patrícia. Ela está no hospital.

Miguel entra na sala.

Daniel - Como entrou aqui? - Desliga o telefone.
Miguel - A porta estava aberta.

Vai para cima de Daniel.

Miguel - Seu desgraçado! O que você fez com a minha irmã?? - Segura na gola da camiseta dele e o levanta.
Daniel - Calma Miguel!
Miguel - Calma nada! Eu vou acabar com a tua raça se algo acontecer com a minha irmã! - Joga Daniel contra a parede.
Daniel - Miguel, fique calmo. Não podemos ficar assim uma hora dessas...
Miguel - Minha irmã está morrendo por culpa sua!
Daniel - Ela vai ficar bem!
Miguel - Seu idiota! - Dá um soco no rosto de Daniel.
Daniel - Por que você fez isso?

Miguel fica preparado para Daniel revidar, mas ele se joga contra ele. Os dois caem em cima do sofá e depois no chão. Daniel em cima de Miguel, começa a murrar o rosto dele. Miguel joga Daniel para perto da mesinha de centro. Os dois ficam rolando pelo chão, um batendo no outro. Subitamente, os dois se beijam.

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De volta a faculdade, os 3 já estão dentro dela. Em um corredor escuro, somente iluminado pelas lanternas:

Alice - Onde você quer ir exatamente? Tem alguma idéia?
Hellen - Naquele lugar onde eu ouvi a voz?
Marcus - Voz? - Fica boquiaberto.
Hellen - E também na sala da Luíza.
Alice - Agora estou gostando.

Chegam até o escritório da reitoria.

Hellen - Como já esperado, trancada.
Alice - Marcus, você não pegou aquele molho de chaves que eu falei?
Marcus - Que molho de chaves?
Alice - Ai Marcus!
Marcus - Ta, eu esqueci.
Alice - Vou lá buscar. Esperem aqui. Não quero me perder.

Hellen se senta no chão, encostada na porta. Marcus senta do lado dela.

Marcus - Como está o estômago?
Hellen - Normal. Por que?
Marcus - O meu parece que vai congelar.
Hellen - Nossa. Desculpa por isso. Juro que não invento mais essas doideiras.
Marcus - Ta brincando? Isso é melhor que montanha-russa.

Os dois dão risada juntos. Hellen fica pensativa, com seu olhar direcionado à sua lanterna nas suas mãos, e Marcus a observa. Hellen dá uma pequena olhada pelo canto do olho. Marcus está voltado diretamente para ela, com uma expressão ilegível, meio tentador. Talvez seja escuridão que o deixa assustador, mas ela não sabe o que realmente é, e o que ele está pensando naquele exato momento. Ela torce para que Alice volte naquele segundo. A lanterna de Alice aparece de longe poucos segundos depois, e Hellen solta sua respiração.

Alice - Chaves comigo. Agora é ter paciência para descobrir a chave certa.
Hellen - Quer saber? - Se levanta - Acho melhor irmos primeiro na outra sala. Lá é prioridade.

Marcus se levanta.

Alice - Hum, você que sabe. Vamos para lá. Eu não sei o caminho, você tem que ir na frente.

Hellen pega sua bolsa do chão e vai na frente. Alice e Marcus vão logo atrás. Os três feixes de luz das lanternas se encontram agitadamente pelo corredor.

    Na faculdade, Hellen, Alice e Marcus chegam na sala.

Hellen - Foi aqui onde eu ouvi.
Alice - Essa sala fica sempre aberta, será?
Marcus - Gente, e aquela porta no chão, que a Hellen viu a Luíza entrando?
Hellen - Bem lembrado Marcus. Eu até tinha me esquecido. Vamos lá.
Marcus - Lembra onde fica?
Hellen - Acho que sim.

Ao passar por um corredor.

Hellen - Espere. Por aqui não. Tem alarme.

Marcus e Alice se entreolham. Eles dão a volta, até chegar no corredor da porta no chão.

Hellen - Aqui. Chegamos. É debaixo desse tapete.

Retiram o tapete e encontram um pequeno pedaço de metal. Marcus puxa e uma pequena porta é aberta, com uma escada lá embaixo.

Marcus - Uau.
Hellen - Onde será que dá isso?
Alice - Eu não sei. Só sei que eu não entro ai nem se for para ganhar um beijo do Bono Vox.
Hellen - Eu vou.
Marcus - Vou contigo. Alice, você fica aqui de vigia, e para abrir a porta para a gente sair. Ligue para o meu celular qualquer coisa.
Alice - Certo.



Hellen e Marcus descem as escadas, entrando em um túnel subterrâneo, com paredes de blocos, chão sem piso e teto de pedra e madeira.

Hellen - É o andar subterrâneo do prédio.
Marcus - Eu não sabia que existia isso. Que coisa louca.
Hellen - É bem frio aqui.

Eles andam pelos corredores.

Marcus - Acho melhor nós marcamos o caminho com alguma coisa, senão podemos nos perder.
Hellen - Verdade. Vou ir deixando esses pedaços de papel. - Retira da sua bolsa uma agenda e rasga algumas folhas, fazendo bolinhas de papel.

Marcus - Esse lugar me dá arrepios.

Escutam um barulho.

Marcus - O que foi isso?
Hellen - Veio daquele lado.
Marcus - Nossa, tem uma claridade ali. O que será? Calma, pode ser alguém.
Hellen - Vamos logo ver o que é.

Os dois saem em uma área com celas, estilo prisão.



Marcus - Oh meu Deus Hellen, tem alguém ali dentro.
Hellen - Meu Deus.

Vão até a cela onde está a pessoa. Ela está sentada no chão, longe das grades, de costas, curvada e com um pano cobrindo a cabeça. Aparentemente fraca.

Hellen - Hei. Você está bem.

A pessoa se vira lentamente para olhar Hellen e Marcus. O lugar está escuro, e Hellen usa sua lanterna para iluminar o rosto dela. Ao virar, Marcus solta um suspiro, e Hellen só consegue dizer:

Hellen - Fernando?? 
 


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