Episódio 01X17

 

 

Episódio 17 – O Sol já não nasce mais - parte 1

Starring
Camilla Belle, Jared Padalecki, Jessica Biel, Jenny Mollen, Jonathan Bennett, Michael Coe, Chris Pine
Co-Starring
Alexa Davalos, Emilie de Ravin, Lindy Booth, Samaire Armstrong, Mike Vogel
Guest Star
Joy Bryant, Shawn Hatosy, Donald, Faison, Jordan Belfi, Ellie Cornell, Leelee Sobieski

Personagem de participação
Ric, Olívia


   
Anteriormente em Wicked Night

Dotela - Roubaram a grana do depósito. Não sei como fizeram, mas o Rivaldo disse que a porta estava aberta e a grana não estava mais lá.

Tafa - Tem idéia de quem possa ter roubado?
Frius - Tenho não. Mas não sei porque, eu sinto que foi alguém próximo, entendeu?

Hellen – Eu já tinha conversado com o Fernando sobre entrar lá de madrugada, antes dele ter ido viajar.
Alice – Eu gosto da idéia.
Marcus – Não sei, acho meio arriscado.
Hellen – Marcus, ninguém vai ver. A gente vai bem tarde, sem fazer barulho.

Regina – Desculpe meninas. Não sabia que vocês eram amigas do Miguel. Eu sou a mãe dele.

Miguel corre pela areia com uma garrafa de bebida na mão e Patrícia atrás. Eles caem e pulam em cima do outro, brincando. Daniel e Betty estão sentados juntos. Eles se olham, dão um sorriso, se aproximam, e se beijam.

Frius - Você precisa fazer uma coisa. Se fizer, a vacina será sua. E acho melhor fazer isso rápido, porque a vida do seu namoradinho não pode esperar.

Hellen - O que eu mais queria era ter notícias dele. Ele bem que poderia me ligar. Ele podia estar fugindo da mãe e do irmão, mas de mim? Não acho que ele seria capaz de me deixar assim.

A única coisa que não deixa a casa de Hellen na escuridão total é a luz da noite, que transpassa pelas janelas. Subitamente, o telefone toca, quebrando o silêncio. Ele continua tocando...

_____



"Sol forte, multidão nas praias, suor e bebida gelada. Uma combinação que só resulta em uma coisa: o Verão. Seria magnífico se não fosse pelos pontos negativos. Dias de verão dentro de casa é um forno levado ao cubo, literalmente. Para quem trabalha em escritório ou algo do tipo deve ser o inferno. Mas para quem não faz nada na vida, e pode ir para a praia ou clubes todos os dias, é o paraíso.
Por que eu estou dizendo isso? Porque esses tais dias chegaram. E eu odeio."


Hellen está em sua casa, tomando café da manhã. Ela passa a faca com margarina cuidadosamente em uma metade do pão e então o dobra para poder comer. Os carros passando na rua fazem o café da caneca em cima da mesa tremer um pouco. O som da colher de açúcar batendo na borda da caneca parece estar sincronizado com o canto dos pássaros que voam perto da janela, formando uma melodia matinal. Um tempo depois, ela já está preparada para ir à faculdade. Se levanta, pega sua bolsa e as chaves, sai de casa e tranca a porta. Certifica de que está realmente trancada e então parte em direção ao ponto de ônibus.

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Na casa dos Almeida, Miguel acorda com Patrícia cantando no quarto ao lado. Fica irritado, mas ao olhar o relógio do celular, percebe que está atrasado para a aula. Se levanta em um pulo só, veste uma calça que estava jogada no chão e uma camiseta do guarda-roupa. Pega a mochila e desce as escadas e encontra Patrícia na cozinha:

Patrícia - Que isso? Para que tanta pressa?
Miguel - Estou atrasado, não tenho tempo para conversa. - Diz remexendo nas coisas do armário. - Você sabe onde estão guardadas as barras de cereais?
Patrícia - Ué, você mesmo não disse que não tem tempo para conversa? - Dá um gole de café logo em seguida.
Miguel - É verdade.

Ele acha as barras, pega algumas, joga na mochila surrada e então corre em direção a porta de casa.

Miguel - Atrasadíssimo para a aula. Prova hoje.
Patrícia - Ah, espera! Pode me levar no médico?
Miguel - Não tenho tempo Patrícia. - Diz já do quintal.
Patrícia - Mas é caminho. - Corre atrás dele.

Miguel entra no carro e Patrícia entra logo depois.

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Renata abre a porta de seu apartamento. Encontra Alana e Ana na sala.

Alana - Como estava a rave?
Renata - Que rave? - Diz com voz falhando.
Alana - Você passou a madrugada fora, achei que estava em uma rave.
Ana - Sua mãe está preocupada. Ela queria chamar a polícia mas conseguimos convencer ela de esperar mais um pouco.
Alana - E então? Vai dizer onde passou a noite ou não?

Renata dá uma pequena pausa.

Renata - Estou na minha casa. Não preciso dar satisfações pra vocês.
Alana - Ah não? Legal.

Renata vai direto para o quarto e então deita na cama, sem tirar alguma peça de roupa. Alana e Ana ficam quietas na sala.

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Miguel e Patrícia estão fazendo o caminho pela praia, quando encontram uma multidão, dificultando o tráfico.

Patrícia - O que será que está acontecendo?
Miguel - Droga! Trânsito logo agora.
Patrícia - Tem polícia e tudo. Deve ter acontecido alguma coisa.
Miguel - E eu vou perder a minha prova. Perfeito.

Patrícia avista Júlia e Alex no meio das pessoas.

Patrícia - Olha, a Júlia está lá. Ela deve saber o que está acontecendo. Vamos lá falar com eles.
Miguel - Só faltava essa...Vai lá você, porque eu vou fazer um caminho alternativo.
Patrícia - Está bem, você que sabe.

Patrícia sai do carro e Miguel vai embora pela rua do lado. Ela vai até Júlia e Alex.

Patrícia - Hei pessoal.
Júlia - Oi Patrícia. Tudo bem?
Patrícia - O que aconteceu?
Alex - Acharam um corpo na praia.
Patrícia - Um corpo? Como assim? De uma pessoa?
Júlia - Sim, de uma mulher. Foi assassinada.
Patrícia - Meu Deus. Quem faria uma coisa dessas?
Júlia - Muita gente faria uma coisa dessa. É o ser humano.
Alex - O pior não é isso.

Patrícia olha para Alex curiosa.

Alex - O corpo estava sem cabeça.

Patrícia fica chocada.

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Hellen chega na faculdade e percebe que as pessoas estão estranhas, falando baixo, com cara séria. Ela vê Marcus na cantina.

Hellen - Marcus, hei.
Marcus - Oi Hellen.
Hellen - Nossa, é impressão minha ou todo mundo está estranho aqui?
Marcus - Não ficou sabendo?
Hellen - Sabendo do que?
Marcus - Sabe quem é a Olívia, do curso de Letras?
Hellen - Quem não conhece. Ela ficou muito popular depois daquele barraco com um dos professores.
Marcus - Pois é. Ela foi encontrada morta hoje.

Hellen para por alguns segundos.

Hellen - Nossa...não sei o que falar.

Algumas pessoas passam por eles: Duas garotas chorando e dois rapazes tentando confortá-las.
Marcus volta a falar com Hellen:

Marcus - Entendeu agora porque todo mundo está "estranho"?
Hellen - Abalou todos da faculdade.
Marcus - A cidade parou. Estão dizendo que tem um assassino em série na cidade.

Luíza aparece no pátio e manda todo mundo ir para suas salas.

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Aranha esta fumando na janela de sua casa. Dotela aparece com um pacote nas mãos.

Dotela - Ae! - grita chamando Aranha, que entra dentro de casa e abre a porta para Dotela - Trouxe uma coisa que você vai adorar.
Aranha - Odeio suspense. Fala logo o que é.
Dotela - Isso vale o suspense, cara.

Dotela retira umas fitas VHS do pacote.

Aranha - São as fitas da câmera de segurança da loja, certo?
Dotela - Isso aí.
Aranha - Eu já sabia que eu teria essas fitas. Me dá um tempo com esses seus suspenses.
Dotela - Onde a gente pode assistir?
Aranha - No meu quarto.

Os dois vão para o quarto de Aranha. Dotela vai até o videocassete e bota uma das fitas.

Dotela - Eu e o Frius passamos a madrugada toda de olho pregado assistindo elas, para poder separar o que te interessa.
Aranha - Bom trabalho.
Dotela - Olha só o que achamos.

Dotela avança um pouco a fita, onde mostra um depósito com várias prateleiras e caixas de papelão. Um homem surge na fita, que vai direto em uma certa prateleira e retira uma caixa de alumínio de dentro de uma das caixas de papelão. Um segundo homem aparece, mas espera na porta do depósito. Após pegar a caixa de alumínio, os dois vão embora.

Dotela - E eu te apresento os nossos ladrões.

Aranha fica calado, sem expressão. Dotela fica preocupado.

Dotela - Viu?
Aranha - Ta achando que sou cego? Claro que vi.
Dotela - E então?
Aranha - Eu conheço esses caras. Eles são da gangue dos Ballas. Esse daí que pegou a grana se chama Ric.
Dotela - Ballas? Bem que eu desconfiei.
Aranha - Eu sei onde encontrar esses caras. Chama a tropa. Vamos dar um susto neles hoje.
Dotela - Ae!
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Fim do dia na faculdade, Hellen deixa a sala de aula na escuridão, porque o penúltimo aluno a sair apagou as luzes sem saber que ela continuava lá. Foi andando pelos corredores, querendo chegar naquele mesmo lugar onde viu Luíza entrando em um buraco. Mas, confusa, não consegue lembrar o local exato.
Hellen sai do prédio, indo para o pátio. Marcus se aproxima dela.

Marcus - Demorou pra sair. Aconteceu alguma coisa?
Hellen - Não, eu só estava tentando achar aquele lugar onde eu vi a Luíza.
Marcus - Ah sei. Vamos voltar lá. Eu te ajudo a procurar.
Hellen - Não, acho que agora não é uma boa hora. Aliás, eu preciso fazer umas coisas em casa.
Marcus - Bom, tudo bem. Eu te levo.
Hellen - Desculpa Marcus, mas eu prefiro ir andando.
Marcus - Andando? Como assim, é muito longe. Você está bem?
Hellen - Estou bem sim, é que preciso passar em alguns lugares que são caminho. A gente se vê mais tarde.

Hellen dá um beijo no rosto de Marcus e sai.
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Ali perto, na porta da faculdade, Betty espera por Daniel.

Betty - Oi. Viu o Dani por aí?
Miguel - Ele saiu primeiro do que eu. Já deve ter ido embora.
Betty - Ah, que chato. Só porque eu vim ver ele.

Daniel vem chegando da padaria da esquina, com uma lata de refrigerante na mão e um pedaço de pão na outra.

Miguel - E chegou o comilão.
Daniel - Eu estou morrendo de fome. Tive que aproveitar que o bauru daqui é melhor do que o da padaria perto de casa.

Betty dá um selinho em Daniel.

Betty - Vamos indo?
Daniel - Vamos.
Miguel - Ei, vocês vão para onde?

Daniel e Betty dão as costas para Miguel, que fica observando os dois de uma maneira aborrecida.
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Em uma rua quase deserta, um grupo de rapazes conversam. Alguns fumam, outros bebem.
Aranha, Dotela, Frius, Tafa e mais alguns membros da gangue aparecem na rua. Eles vão andando em direção ao grupo.
Ric, que tem cabelo raspado, percebe que eles se aproximam. Ele é o que apareceu no video da fita. Avisa para os outros. Metade do que estavam ali correm, fugindo.
Aranha chega direto em Ric:

Aranha - Qué apanhá sordado?
Ric - O quê?
Aranha - Qué apanhá?

Pernas e cabeças na calçada.
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Patrícia volta do médico para casa. Ela pega as chaves na bolsa, abre a porta, entra na sala e sente um cheiro e barulho de bacon fritando. Ela sabe que seu pai não está em casa e que Miguel ainda não voltou da faculdade. "Será que tem alguém aqui?" pensa a garota, que vai se aproximando lentamente da cozinha, de onde vem o cheiro e os ruídos. Ao entrar, o frio na barriga sobe até a cabeça e a paralisa, devido ao que acabou de ver.

Regina - Oh, é você querida. Eu estava imaginando que fosse o Miguel. Vocês se levantaram muito cedo, nem deu tempo de dar bom dia.

Patrícia, desacreditada, vomita na lata de lixo ali perto.
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Os membros da gangue dos Ballas estão caídos no chão. Aranha segura Ric pela gola da camisa..

Aranha - Gostou dos meus golpes de capoeira? Vai me devolver a grana ou quer mais?
Ric - Espera cara. - Diz cuspindo sangue.
Aranha - Anda, fale logo!
Ric - Não está mais com a gente, eu juro. Já entregamos.
Aranha - Para quem? Quem mandou vocês pegarem o dinheiro?

Ric tenta dizer, mas Aranha quase o enforca pela maneira que ele segura na gola de sua roupa.

Frius - Deixa ele falar cara.

Aranha alivia Ric.

Ric - Já demos o dinheiro. Já demos. - Tosse depois.
Aranha - Para quem?
Ric - Os irmãos Castelli.



Aranha não consegue acreditar no que acabou de ouvir. Ele fica parado olhando para o nada, e solta Ric.

Ric - Foram os irmãos Castelli que mandaram a gente. Alexander Castelli, pra ser mais certo.
Aranha - Cala a sua boca agora antes que eu quebre todos os seus dentes.
Dotela - O que vamos fazer?
Aranha - Vamos para o beco. Preciso decidir o que fazer.
Frius - Certo.

Aranha e sua gangue vão embora.
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Na casa dos Almeida. Patrícia sentada no sofá e Regina do lado.

Regina - Toma um copo com água. Só espero que você não esteja grávida...
Patrícia - Que grávida o que. Eu vomitei de desgosto mesmo.

Patrícia recusa o copo com água e se levanta.

Patrícia -O que faz aqui.
Regina - Como assim? Não posso vir visitar a minha família?
Patrícia - Quando veio?
Regina - Eu cheguei ontem à noite, mas nem tinha gente em casa. Esperei vocês mas nunca chegavam, então fui dormir.
Patrícia -Você dormiu na cama do pai? Eu não estou acreditando nisso. Como pode fazer uma coisa dessas?
Regina - Não faz diferença. Ele não está aqui.
Patrícia - Faz diferença sim! Por acaso ele sabe que você veio para cá?
Regina - Sabe. Ele me pediu para cuidar de vocês enquanto ele está fora.
Patrícia - Ai meu Deus, só pode ser mentira.

Patrícia sobe as escadas até seu quarto, e deixa sua mãe falando sozinha.
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Miguel está dentro do carro, voltando para casa. Patrícia liga pro celular dele.

Miguel - Ah, o que você quer? - Diz olhando para o celular do seu lado, com o nome "Irmã chata" chamando.

Miguel pega o celular e se distrai dirigindo, tendo que desviar de uma criança que atravessou a rua correndo. Ele para o carro alguns metros depois, se recompõe e então bota o aparelho no ouvido.

Miguel - Me lembra de nunca atender o telefone dirigindo?
Patrícia - Está no carro?
Miguel - Estou, mas...Ah, fala logo o que quer?
Patrícia - Não volte para casa. Me encontre na frente do shopping. Estou indo para lá.
Miguel - Por que não? Espere...

Patrícia desliga o telefone.
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Próximo ao fim do dia, e começo da noite
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Hellen está em sua casa, fazendo um café. Ela esquenta a água enquanto arruma o coador. O campainha toca.

Bruna - Oi Hellen. Eu trouxe uns bolinhos que fiz em casa.
Hellen - Ótimo. Eu já estou preparando o café aqui.
Bruna - E aí, Fernando deu notícias?
Hellen - Não. - Faz uma cara séria, como se quisesse mudar de assunto.
Bruna - Hum.
Hellen - Bom, mas me fala: A Ângela vai mesmo fazer o vestibular para a faculdade?
Bruna - Vai sim. Ela está estudando com todas as forças. O sonho dela é fazer moda, né.
Hellen - Vale a pena. A facul é excelente. Amo ela de coração. Amei meus 3 semestres que passei até agora.

O noticiário da televisão começa a dar uma notícia: "A polícia suspeita de que há um assassino em série solto na cidade, já que um caso parecido aconteceu a 2 anos atrás, onde uma mulher de meia idade foi encontrada morta na praia, ao amanhecer."

Bruna - Credo.
Hellen - É triste. Ela estudava lá na faculdade.
Bruna - Você diz a garota de hoje, né?
Hellen - Olívia. Ela fazia Letras. Eu vou no velório dela amanhã. Dar uma força, mesmo sem ter trocado uma palavra com ela.
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Alana e Ana estão na sala do apartamento de Renata, que dorme trancada em seu quarto.

Alana - Ah, quer saber? Cansei. - Joga a lixa de unha no outro lado do sofá e se levanta.
Ana - O que você vai fazer?
Alana - Não vou ficar vegetando aqui. Quero fazer alguma coisa.
Ana - A dona Fátima pediu pra gente ficar de olho na Renata, esqueceu?
Alana - Eu não vou ficar dando uma de babá em uma mulher de 22 anos. Se você quiser continuar brincando, então fiquei aí.

Alana vai até a porta.

Ana - Você que sabe. Eu prefiro continuar aqui.

Alana sai.
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Na frente do shopping, que não está muito movimentado, Miguel espera por Patrícia. Ele começa a pensar em voz alta.

Miguel - Só quero saber o que a Patrícia quer. Estou morrendo de fome e ela marcando esses encontros...

Patrícia logo aparece.

Miguel - Espero que nessa bolsa esteja um hamburguer com mostarda e molho picante bem quentinho.
Patrícia - Você só pensa em comida, mas vai perder a fome depois que ouvir essa.
Miguel - Hum, o que? Olha lá heim...
Patrícia - Você não faz idéia de quem está lá em casa. Olha, eu duvido que você adivinhe quem está em casa.
Miguel - Nossa, pra que tanto mistério assim? Parece até que o Gugu foi lá em casa. Não foi ele, não é?
Patrícia - Deixa de ser bobo.
Miguel - Droga. Acabou com meu sonho de ganhar todos aqueles brinquedos.
Patrícia - A nossa mãe.
Miguel - Que tem ela?
Patrícia - Ela que está em casa.
Miguel - Você está brincando?
Patrícia - Eu falei que você não ía acreditar. Eu também não acreditei quando vi ela parada na cozinha, parecia mais um pesadelo...

Miguel vai correndo direto para o carro e Patrícia corre atrás.

Patrícia - Ei, para onde está indo?
Miguel - Ficou louca? Vou ver a mamãe.
Patrícia - Quem ficou louco foi você, só pode. Não acredito que você quer ver ela.

Miguel sai com o carro e Patrícia o observa virando a esquina.
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Marcus e Alice entram no apartamento. Alice abre a porta na frente, e Marcus entra logo em seguida.

Alice - Vou fazer uma ligação, para saber se a mansão já está liberada.
Marcus - Por favor. Já sinto saudades da minha cama.

Marcus vai até uma mesa de canto, pega uma garrafa de whisky, enche 1 dedo de copo e bebe.
Alguém bate na porta. Ele vai atender.

Alana - Vocês não me viram na rua? Pensei que iam esperar por mim. - Diz entrando na sala.
Marcus - Eu não te vi, senão teria te esperado.
Alana - Tá, tá...
Marcus - Vou lá para a mansão agora, ver como estão as coisas. Quer ir junto?
Alana - Ah, quero sim. Não aguento mais ficar sem fazer nada...Droga.
Marcus - O que?
Alana - Esqueci minha bolsa na casa da Renata.
Marcus - Xi. - Diz levando mais um copo de bebida à boca.
Alana - Minha vida está dentro daquela bolsa. Vou lá voltar pra pegar. Eu pego um taxi para casa. Beijos.

Alana sai pela porta e fecha. Alice volta da cozinha.

Alice - Nossa. Ela já saiu?
Marcus - Ela não vive sem a bolsa, fazer o que.
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No apartamento de Renata. Ela se levanta e vai até a sala. Ana fala com ela da cozinha.

Ana - Acordou, Bela Adormecida? Liga pra sua mãe, ela está preocupada.
Renata - Nem sei que horas são. Dormi muito?
Ana - Vem cá. Estou fazendo batata frita.
Renata - Já vou.

Renata avista a bolsa de Alana no sofá. Dá uma olhada, volta para o quarto sem que Ana veja, e então retorna para a sala com um objeto na mão, colocando-o dentro da bolsa de Alana.

Renata - Vou ligar pra minha mãe. - Vai até o telefone na parede.
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Daniel está em casa, tomando banho, e Betty está na sala esperando ele. Ela folheia uma revista sobre moda e comportamento. O telefone da sala toca. Betty vai atender.

Betty - Alô?

Ninguém responde no outro lado da linha.

Betty - Tem alguém ai?

A pessoa do outro lado desliga. Betty fica sem entender, mas logo está de volta com sua revista.
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Patrícia está sentada em uma mesa de uma sorveteria ao ar livre. Ela tira o seu celular do ouvido e faz uma cara desapontada. Pensa um pouco e então volta a discar.
O celular de Daniel toca, no bolso de sua calça jeans. Ele abre o box do chuveiro, estica o braço e alcança o aparelho em cima do cesto.

Daniel - Oi.
Patrícia - Dani, oi...É a Patrícia.
Daniel - Oi Patrícia. Tudo bem?
Patrícia - É...não muito bem.
Daniel - O que aconteceu? Parece triste.

Daniel fecha o chuveiro.

Patrícia - Nada, são só algumas coisas chatas. E eu não posso voltar pra casa.
Daniel - Não pode voltar pra casa? Mas por que? Aconteceu alguma coisa?
Patrícia - Dani, eu queria falar sobre isso pessoalmente com você. Pode ser agora?
Daniel - Agora? Mas é que...
Patrícia - Bem, se você tiver algum compromisso então deixa. A gente se fala depois.
Daniel - Não Patrícia, espera. Eu posso ir...
Patrícia - Tudo bem Dani, não se preocupe. Depois nos falamos, beijos.

Patrícia desliga o celular e deixa Daniel com remorso.
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Daniel desce as escadas, já com roupa.

Betty - Pronto? Podemos ir?
Daniel - Sim. Só deixa eu fechar as janelas da cozinha aqui.
Betty - Eu vou indo lá para o carro.

Daniel vai para cozinha, fecha as janelas, bebe um pouco de água do filtro e encosta na pia para poder pensar por alguns segundos. Ele retira seu celular do bolso da calça, digita o número da Patrícia, encara o aparelho, mas o desliga e sai.
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Alana volta para o apartamento de Renata. Toca a campainha e Ana vai atender.

Alana - Esqueci a minha bolsa. Cadê ela?
Ana - No sofá.
Alana - Que isso que você está comendo?
Ana - Pudim de abóbora e cenoura.
Alana - Credo.

Alana pega sua bolsa no sofá. Renata aparece vindo do quarto.

Alana - Gente, vocês não sabem da última.
Ana - Vai, fala logo!
Alana - Daniel e Betty estão ficando.
Ana - Sério? Que babado!
Alana - Sério. O Miguel me contou.

Renata fica calada, apoiada atrás do sofá, olhando para o chão.

Alana - E eu pensava que o garoto não pegava ninguém.
Ana - Isso é o dinheiro, minha filha. Aquela lá, daquele tipo? Hum, faz tudo para conseguir.
Alana - Se for isso mesmo a desgraçada é burra. Olha meu irmão aí, muito mais rico e mais bonito.

Alana olha para Renata.

Alana - Ei, ta contando poeira?
Renata - Eu vou tomar banho. - Volta para o quarto.
Alana - Eu heim. Já vou pra casa. Ana, não vem?
Ana - Pra casa você diz a mansão? Já podemos voltar pra lá?
Alana - Falando a verdade eu nem sei ainda. Meus irmãos foram ver isso. Eu vou mesmo é pro shopping. Eles me ligam.
Ana - Está bem, vou com você.

Ana pega a bolsa dela, desliga a tv, grita para a Renata que já está indo embora e sai com Alana.
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Daniel e Betty, no carro, a caminho de um restaurante.
Daniel está calado. O rádio toca uma música do Beck.

Betty - Ah, eu amo essa música. Você gosta?

Betty olha para Daniel, que se mantêm calado.

Betty - Alô, Terra chamando.
Daniel - O que? Ah, desculpa. Eu estava distraído.
Betty - É, até um cego perceberia que você estava distraído, e também que está estranho desde que saímos de sua casa.
Daniel - Me desculpe...

Daniel para o carro em um posto de gasolina para abastecer.

Daniel - Já volto.
Betty - Tá.

Ele sai do carro e vai para um caixa eletrônico ali. Betty observa a avenida do seu lado e os carros com faróis alto passando. Ela desvia o olhar, mas não encontra Daniel. Olha para o seu lado esquerdo e encontra o celular. Ela pega, abre e verifica a última ligação recebida. Fecha e volta a observar os carros na avenida. Pensa um pouco, e resolve pegar o celular novamente, mas desta vez disca o número.
Alguns minutos depois, Daniel volta.

Daniel - Pronto. Desculpe te deixar esperando. Vamos?
Betty - Vamos. Mas, se você não se importar, eu gostaria de ir para um outro lugar.
Daniel - Outro lugar? Tudo bem. Como você quiser.

Daniel dá um beijo no rosto de Betty, que dá um sorriso amarelo, voltando a sua observação no seu lado direito.
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Marcus e Alice chegam na mansão Vale Branco. Entram no hall principal.

Alice - Eu já estava com saudades desse hall.
Marcus - E eu estou com saudades da minha cama. Aquela do apartamento é dura como pedra.
Alice - Vou ligar para a empregada dizendo que ela já pode voltar amanhã.

Marcus vai para a cozinha beber um suco da geladeira.
O telefone toca na sala. Alice vai atender.
Marcus volta da cozinha com um copo na mão.

Marcus - Quem era?
Alice - Não se identificou.
Marcus - E quanto ao identificador de chamadas
Alice - Isso não é o mais importante. Onde está Alana?
Marcus - Disse que viria para cá.

Alice encara Marcus, que fica petrificado, como uma vítima da Medusa.
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Hellen está do lado de fora da sua casa, conversando com Bruna e mais uma mulher da rua. Elas conversam e dão risadas juntas. O telefone da casa de Hellen começa a tocar.

Bruna - Não é seu telefone?
Hellen - É verdade!

Ela corre para dentro de casa e tira o aparelho do gancho.

Hellen - Alô?

A ligação está ruim, com muitos ruídos. Hellen diz que não consegue ouvir. Depois de alguns segundos, a ligação cai. A única coisa que ela acha que conseguiu ouvir foi: Fernando. Espera ao lado do telefone para ver se ele toca novamente, mas desiste e volta para a frente de sua casa, mas muito abalada.

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Betty leva Daniel para um outro lugar, na avenida de frente para a praia. Daniel estaciona o carro em uma vaga, fazendo a baliza impecável. Os dois saem, entram em uma sorveteria. O movimento é grande. Eles entram, se aproximam do balcão, mas Betty o desvia para o outro lado. Daniel então dá de cara com Patrícia sentada, que sorri para ele, de uma maneira triste mas ao mesmo tempo alegre.

Daniel - O que...Não entendi...
Betty - Vai. Vai lá falar com ela.

Daniel hesita deixar Betty, mas ele olha para seu rosto e percebe que ela está convicta. Ele vai então até Patrícia.

Patrícia - Sempre há tempo para o cavaleiro chegar.
Daniel - Na verdade, eu nem imaginava que você estaria aqui. - Diz se sentando à mesa.
Patrícia - O que importa é que você está aqui.

Patrícia estende sua mão para alcançar a do Daniel apoiada na mesa.
Betty deixa a sorveteria, olhando para trás e vendo os dois juntos. Ela volta ao seu caminho, no meio da noite.
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Alana e Ana saem do taxi. Vão até a porta lateral da mansão. Passam pelo quintal e pela piscina e entram. Ana se diz apertada para ir ao banheiro e sobe as escadas na frente. Marcus chama Alana para a sala de jantar. Ele está sentado à mesa com Alice.

Alana - Bom, pelo jeito liberaram a casa.
Alice - Sim, mas não é sobre isso que queremos conversar com você. - Se levanta.
Alana - O que é? - Começa a ficar preocupada, porque a cara dos dois não é boa.
Alice - Alana, me dê a sua bolsa.
Alana - Minha bolsa? Pra que?
Marcus - Apenas faça o que a sua irmã pede.

Alana entrega a bolsa para Alice, preocupada e sem entender. Alice pega a bolsa, abre, mexe lá dentro até que retira uma coisa. Alana olha surpresa.

Alana - O que é isso?
Alice - Eu que pergunto. O que isso está fazendo com você Alana?
Alana - Er...(começa a engasgar) Eu não sei de onde isso veio, eu juro. Eu nunca vi isso na minha vida.
Marcus - Para de mentir Alana. Será melhor para todo mundo.
Alana - Eu não estou mentindo, ok? Estou dizendo a verdade. Isso não me pertence. - Começa a se alterar.
Alice - Ah não? Então como veio parar na sua bolsa? Fez um passeio pelo Rio?
Alana - Eu não sei como veio parar. Qualquer um pode ter colocado.

Marcus se levanta.

Marcus - Você foi longe de mais com isso. Longe demais.
Alana - Não, espera um pouco. Como vocês sabiam que isso estava na minha bolsa?
Alice - Isso não interessa. Você não está em posição de fazer perguntas.
Alana - Será que vocês não entendem? Seja lá quem for que avisaram a vocês, está querendo me prejudicar! - Diz em tom de voz alta.
Marcus - Alana, vamos nos acalmar, por favor.

Ana aparece nas escadas e para.

Alana - Acalmar? Estou sendo acusada por uma coisa que não fiz e você quer que eu fique calma?
Alice - Não estamos te acusando. Só queremos explicações.
Alana - Ah, querem? Pois bem: Isso não me pertence. Simples assim.

Alana dá as costas em direção à escada, para subir ao seu quarto. Ana se afasta para dar caminho. Marcus agarra o braço de Alana para impedi-la.

Marcus - Você realmente não está entendendo a situação aqui. Drogas na sua bolsa é uma coisa gravíssima. O que você é? Heim? Uma viciada ou uma traficante?

Alana começa a chorar.

Alana - Me solta. Me larga!!

Marcus solta Alana.

Alana - O que há de errado com vocês? Só porque eu não sou um exemplo de irmã vocês podem fazer isso comigo? Só porque eu sou privilegiada, nunca trabalhei, sempre tive tudo que queria vocês podem fazer isso? Eu sempre fui a "adotada", não é? Não tenho ligações com vocês. Não faz diferença. Devem estar achando que eu não pretendo nada na vida, que eu só gasto o dinheiro de vocês, porque é claro, o dinheiro é mais importante do que eu. E sabe mais uma coisa? - Abre a bolsa - Ta vendo isso aqui? É o currículo que fiz a alguns dias. Eu ia mandar para o shopping hoje. - Rasga os papeis - Eu estava querendo pelo menos sentir na pele como é viver de verdade, iguais as outras pessoas. Eu pretendia isso à pouco tempo atrás. Agora engulam ele. -Joga os pedaços de papéis em Marcus e Alice - Não me interessa mais o que pensam. O Sol já não nasce mais para mim. Vou dormir em um hotel hoje.

Alana dá um pequeno empurrão em Ana, para poder subir as escadas. Se tranca no quarto. Marcus, Alice e Ana se entreolham.

Marcus - Você sabia de alguma coisa?
Ana - Eu não fazia idéia. Me desculpe.
Marcus -  O que vamos fazer agora? O dano já está feito.
Alice - E não tão cedo vai ser recuperado. Não ligue para a clínica mais. Se nosso pai descobre, a culpa vai ser de nós dois. Vamos continuar mantendo em segredo. Ouviu, Ana?

Ana balança a cabeça como "sim".
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Hellen está deitada na cama de seu quarto, olhando o teto e o céu da noite pela janela. O vento balança levemente a cortina. Ela se estica até o criado mudo, abre uma gaveta e pega um álbum de fotos. Dentro dele, várias fotos dela e de Fernando, na época que entraram na faculdade. Ela vê o álbum, e pensa em seu amigo.
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Na faculdade: Toda as luzes apagadas. Iluminação apenas da noite, pelas janelas. Duas pessoas aparecem em um corredor, vestidas de preto, carregando uma terceira pessoa, aparentemente desmaiada. Uma delas abre uma porta no chão, abrindo um buraco. Ela entra e pega a pessoa desmaiada pelo tronco, enquanto a segunda ajuda do lado de fora, que logo depois entra também no buraco e fecha.


Continua...


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